Tomado da lua

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Minha querida, o nosso adorado filhinho

Está que já não pode os braços levantar!

E era tão forte como o inquieto cabritinho

Que assim que nasce pula e se alegra em pular...

Mas nem lhe serve, agora, o teu colo, de ninho,

Porque ele vive assim, a gritar... a gritar...

E como diminui! Como está tão magrinho!

Que roxos tons de dor possui no próprio olhar!

Certo, tomou-o a lua, ao ver-lhe as camisinhas

De rendas e cetim, e as fraldas, e as touquinhas...

Mas isso passará, se disseres ao luar

Dessa lua de abril, de tão suave brilho:

“O luar! O luar! vem ver este meu filho,

Que tão doente está, e mo ajuda a criar!”