TORNA O POETA A INVESTIR À CATONA LANÇANDO O RESTO DE SEUS EMPENHOS, E ELLA PARA...
Estou triste, e solitário
esperando pelo baque
que há de dar, Tona, esse achaque,
que em vós é mal ordinário:
sangue, que tem oitavário,
festa solene parece;
com que saber se me ofrece,
porque razão me convenha,
que a vós o sangue vos venha,
e seja eu, quem o padece.
A vós, Tona, vem o mal,
e em vez de mal vos faz bem,
e a mim, que nunca me vem,
me é tão prejudicial:
só se eu sou tão animal,
tão cavalo, e tão rocim,
que quando vos chega enfim
o mês pelo calendário,
em vós corre de ordinário,
porém corre contra mim.
Se vos vejo desta vez
tal, que é força, vos maltrate,
vaya: mas que a mim me mate
que tenho eu com vosso mês?
Se mereço por cortês,
ou pela força da estrela,
que me deis uma titela,
dai-ma com sangue, ou sem sangue
que eu irei ao pé de um mangue
e lá me haverei com ela.
Eu lá a irei cozinhando
de sorte, que o vosso dado
com ser de sangue queimado,
não me ande o sangue queimando
a mim que me dá, que quando
fizermos o catatau,
saia o fariseu tão mau,
que seja cousa precisa
alimpá-lo na camisa,
ou na esquina de um calhau?