TORNA O POETA A INVESTIR À CATONA LANÇANDO O RESTO DE SEUS EMPENHOS, E ELLA PARA...

By Gregório de Matos Guerra

Estou triste, e solitário

esperando pelo baque

que há de dar, Tona, esse achaque,

que em vós é mal ordinário:

sangue, que tem oitavário,

festa solene parece;

com que saber se me ofrece,

porque razão me convenha,

que a vós o sangue vos venha,

e seja eu, quem o padece.

A vós, Tona, vem o mal,

e em vez de mal vos faz bem,

e a mim, que nunca me vem,

me é tão prejudicial:

só se eu sou tão animal,

tão cavalo, e tão rocim,

que quando vos chega enfim

o mês pelo calendário,

em vós corre de ordinário,

porém corre contra mim.

Se vos vejo desta vez

tal, que é força, vos maltrate,

vaya: mas que a mim me mate

que tenho eu com vosso mês?

Se mereço por cortês,

ou pela força da estrela,

que me deis uma titela,

dai-ma com sangue, ou sem sangue

que eu irei ao pé de um mangue

e lá me haverei com ela.

Eu lá a irei cozinhando

de sorte, que o vosso dado

com ser de sangue queimado,

não me ande o sangue queimando

a mim que me dá, que quando

fizermos o catatau,

saia o fariseu tão mau,

que seja cousa precisa

alimpá-lo na camisa,

ou na esquina de um calhau?