TORNA O POETA OUTRA VEZ A TENTAR A CATONA POR ESTILO DESHONESTO, DE QUE AS VEZES...
Castelo do põe-te neste,
todo o meu meti em ti,
por amor do calco-te este,
Menina, venho eu aqui.
Trinta anos, ricos e belos
cursei em outras idades
várias universidades,
pisei fortes, vi castelos:
ao depois os meus desvelos
me trouxeram a esta peste
do pátrio solar, a este
Brasil, onde quis a Sorte,
Castelo do põe-te neste.
Vi logo a forte muralha,
Catona, eu teu duro peito,
que por força, nem por jeito
venci em trégua, ou batalha:
com soldadesca canalha,
quanto tinha, despendi;
obrei lá, dispus aqui
o cuidado, a manha, a arte,
e sem fiar de ganhar-te
Todo o meu meti em ti
São pensões, de quem guerreia,
tudo causa a lei da guerra,
o sossego se desterra,
perde-se jantar, e ceia:
e quando a guerra se ateia,
segue-se a fome, e a peste,
tudo se sofre por este,
pundonor de te alcançar,
e tudo hei de suportar
Por amor do calco-te este.
Fui mau general té agora,
porque fiz, Catona, a guerra
em país alheio, em terra,
onde vós sois tão Senhora:
hei de sair daqui fora
armado a Pernameri,
e sendo fronteiro ali
a trombeta hei de cantar
que para de vós triunfar,
Menina, venho eu aqui.