TORNA O POETA OUTRA VEZ A TENTAR A CATONA POR ESTILO DESHONESTO, DE QUE AS VEZES...

By Gregório de Matos Guerra

Castelo do põe-te neste,

todo o meu meti em ti,

por amor do calco-te este,

Menina, venho eu aqui.

Trinta anos, ricos e belos

cursei em outras idades

várias universidades,

pisei fortes, vi castelos:

ao depois os meus desvelos

me trouxeram a esta peste

do pátrio solar, a este

Brasil, onde quis a Sorte,

Castelo do põe-te neste.

Vi logo a forte muralha,

Catona, eu teu duro peito,

que por força, nem por jeito

venci em trégua, ou batalha:

com soldadesca canalha,

quanto tinha, despendi;

obrei lá, dispus aqui

o cuidado, a manha, a arte,

e sem fiar de ganhar-te

Todo o meu meti em ti

São pensões, de quem guerreia,

tudo causa a lei da guerra,

o sossego se desterra,

perde-se jantar, e ceia:

e quando a guerra se ateia,

segue-se a fome, e a peste,

tudo se sofre por este,

pundonor de te alcançar,

e tudo hei de suportar

Por amor do calco-te este.

Fui mau general té agora,

porque fiz, Catona, a guerra

em país alheio, em terra,

onde vós sois tão Senhora:

hei de sair daqui fora

armado a Pernameri,

e sendo fronteiro ali

a trombeta hei de cantar

que para de vós triunfar,

Menina, venho eu aqui.