Torturas

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Essas nas quais te sinto a alma continuamente

Afundada... afundada — essas são, com certeza,

As asas mais febris, e de um brilho mais quente,

Que hão de te levar à Suprema Beleza...

Os prazeres, Maria, enganam muito a gente,

Porque são como o pó que vai na correnteza

Dos ventos, e, talvez, a nuvem reluzente

Que se apaga do céu na imensa redondeza.

Mas, as torturas, não! Se é que subir desejas

A Suprema Beleza, em asas benfazejas,

Deixa que, nesse voo, as ocultas torturas

Da tua alma gentil ascendam, sempre francas,

Pois de torturas são feitas as almas francas,

E os nobres corações de todas as criaturas.