Torturas
Essas nas quais te sinto a alma continuamente
Afundada... afundada — essas são, com certeza,
As asas mais febris, e de um brilho mais quente,
Que hão de te levar à Suprema Beleza...
Os prazeres, Maria, enganam muito a gente,
Porque são como o pó que vai na correnteza
Dos ventos, e, talvez, a nuvem reluzente
Que se apaga do céu na imensa redondeza.
Mas, as torturas, não! Se é que subir desejas
A Suprema Beleza, em asas benfazejas,
Deixa que, nesse voo, as ocultas torturas
Da tua alma gentil ascendam, sempre francas,
Pois de torturas são feitas as almas francas,
E os nobres corações de todas as criaturas.