Transfiguração

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Sempre a pensar em ti, sempre voltado

Para onde vives tão distante, creio

Sentir, mesmo de longe, o perfumado

Calor do vale do teu róseo seio.

Sempre a pensar em ti, horas parado

Fico, como se visse, num anseio,

O teu formoso olhar imaculado,

Que outrora vinha me bater em cheio.

E se me deito, para ter descanso,

Ó minha linda flor, somente o alcanço

Quando um clarão de fluídicos lampejos,

Vem lentamente se transfigurando

Nuns braços mornos, que me vão pegando;

E numa boca mádida de beijos.