Transformação

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Ninguém julgue que a ovelha humilde, a minha filha

Essa que morta está, tão fria, tão gelada,

Não continue a ser a mesma ovelha, amada

Nas redondezas desta encantadora ilha.

Ela apenas cerrou o olhar, que oculto brilha

No mundo, para abri-lo, então, glorificado,

Noutra vida melhor, que é luz de madrugada;

Que é branca Estrela d’alva, e eterna maravilha

Choro. Mas vá que a sua aromada epiderme

De banquetes, no barco, à voragem do verme,

Quando dela, e do verme, hão de surgir, no barro,

Os lírios, os jasmins, as rosas, as violetas,

Os alvos bogaris, e as fiavas borboletas:

Todo um florido abril lindamente bizarro.