TREVA E LUZ

By Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

Neste pélago escuro em que te afundas,

Longe das sombras aurorais e amadas,

Sentes o peito em ânsias revoltadas,

Diluis teu peito em sensações profundas.

Mas, eis que emerges, luminosa, às fundas

Águas do mar das glórias obumbradas,

E, ante o branco estendal das madrugadas,

Nua, em banho ideal de amor te inundas.

Agora, à luz das alvoradas santas

Ungem-te o corpo redolências tantas,

Que, ao ver-te nua, o Mundo se concentre,

E a lua, a Virgem Mãe dos céus escampos,

Que beija a terra e que abençoa os campos,

Beije-te o seio e te abençoe o ventre!