Tributo de amor filial

By Delminda Silveira de Sousa

Oh! puro amor que de saudades vives,

vem rorejar de lágrimas a lousa

qu’este sepulcro cerra...

Oh! dor! Oh! funda dor! — não mais te avives

em meu peito, pois já no Céu repousa

Quem tanto amei na terra!

Morreste, oh, doce mãe! e, n’amargura

o peito de teus filhos extremosos

inda sangra de dor!

Ai! Deus não quis que a filial ternura

haurisse por mais tempo os dulçorosos

mimos do teu amor...

Morreste, oh, doce Mãe!... Porém, tu’alma

foi junto a Deus brilhar, na Eternidade,

— mais pura e radiosa —

do que a estrela gentil que em noite calma

do Céu nos vem trazer tua saudade

na meiga luz formosa!