Trigo do luar

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Setembro. O céu esbate uns violáceos fulgores

Através dos franjais das nuvens... Tons magoados,

De ametista e berilo, estendem-se aos gramados,

Onde os lindos ipês se engrinaldam de flores.

Fujo ao profundo anseio emocional das cores

Do campo e desço, alegre, a passos apressados,

Aos regaços da praia... (Ah! lugares sagrados!)

Neles vejo Jesus junto aos seus pescadores.

E me atiro da areia aos cheirosos regaços,

E aí descanso o peito aberto de cansaços...

E quando a noite vem, eu passo, uma por uma,

A contemplar, saudoso, emocionado, as ondas

Do largo mar, nas quais há também ricas mondas

De alvo trigo do luar, sobre granjas de espuma.