Triste

By João da Cruz e Sousa

Vai-se extinguindo a viva labareda

Que te abrasava o coração ridente...

Passas magoada pela rua e a gente

Umas converses funerais segreda.

Não tens no olhar o sangue q’embebeda,

Foram-se as rosas do viver contente...

Segues, agora, pobre flor — somente

Da sepultura a essencial vereda.

E vem chegando o tenebroso inverno...

Mas nesse mal devorador e eterno,

Teu organismo já não mais resiste

Às punhaladas da estação de gelo...

E acabará como eu nem sei dizê-lo,

Triste, bem triste, pesarosa, triste!