Tristeza

By Delminda Silveira de Sousa

A tarde morria,

a lua surgia

com doce poesia

no plácido Céu;

minh’alma saudosa

mais triste e queixosa,

na voz amorosa

da lira gemeu:

As cândidas flores

em brandos vapores,

entornam odores

do seio gentil;

o lago retrata

nas águas de prata

o verde da mata

num fundo de anil.

No meio das rosas

purpúreas, mimosas,

as rolas saudosas

gemendo adormecem;

nas moitas que oscilam,

mil lumes cintilam,

estrelas rutilam

nos véus qu’escurecem.

No mar e na terra,

no campo e na serra,

na flor que descerram

que doce viver!

Porém, no meu seio,

que mágoas, que anseio,

que vago receio...

que atroz padecer!...

A noite formosa,

silente, chorosa,

lá vem majestosa,

seus véus arrastando;

nos negros vestidos

brilhantes prendidos,

cabelos descidos,

o ar perfumando.

É triste a minh’alma!...

Sem risos, sem calma,

nos prantos acalma

da vida o penar!

Nas vozes da lira,

soluça, suspira,

— foi todo mentira

meu ledo sonhar! —