Tuberculosa

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Suzana recordava uma garça alvadia,

Das que vêm, ao sol posto, espelhar-se no mar,

E ficam tristemente a cismar... a cismar,

Dentro da mais pesada e atroz melancolia.

Através da vidraça eu quantas vezes via

A cera do seu rosto! E o seu saudoso olhar

Tinha os velados tons do marfim de luar,

Quando num rio a lua adormece, doentia...

E as suas brancas mãos, tão brancas, mãos de neve,

E o veludo do seu cabelo ondeante e leve.

E aquela boca em febre, ardendo como o estio?

Isso tudo me vem à ideia, lentamente,

Se contemplo uma garça, assim, na praia albente,

Ou revejo luar sobre as águas dum rio...