Última vontade

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Quando eu para este mundo os meus olhos fechar,

Que os feche para o pó, num frio esquecimento.

Menos para o esplendor dos campos e do mar,

Para não ter, na morte, um grande sofrimento.

Eu desejo morrer numa noite de luar...

(E o luar para mim é um florescimento)

Aberta a porta irei, todo em ânsias, pelo ar,

Para a sublime paz azul do firmamento.

E o divino luar, que tanto eflúvio espalha,

Seja-me a branca e leve e sagrada mortalha;

E sejam minha unção os perfumes agrestes...

E se existir quem reze antífonas e salmos,

Quero lhe ouvir rezar sobre os meus sete-palmos,

Uma oração de amor, na ermida dos ciprestes!