Um buquê de violetas

By Delminda Silveira de Sousa

Musa do Céu, consoladora amiga,

vem carinhosa como meiga aurora

à lira adelgaçar-me os negros véus...

Pede-me o bardo um canto... que te siga,

deixa um momento est’alma cismadora

ao Éden me conduz dos Paços teus.

Preciso colher flores mais ridentes,

como as rosas apenas descerradas

que a Primavera nos regaços traz;

preciso cores, brilhos refulgentes

como arrebóis de lindas madrugadas,

que plúmbea nuvem pelo Céu desfaz.

Quero harmonias brandas, maviosas

como o cantar do sabiá sonoro,

na primavera, no jambeiro em flor;

margaridas gentis, purpúreas rosas...

um ramalhete lindo e perfumoso,

contigo, ó doce musa, eu vou compor!

Mas... ah! nem cravos nem rosas,

nem margaridas garridas!...

Só vejo tristes, pendidas,

as violetas mimosas...

Qu’importa? — É a linda violeta;

deve estimá-la o poeta

que estima as flores singelas;

eia, ó musa! ao prado vamos,

um ramalhete façamos

d’aquelas florinhas belas!

Poeta! aceita a homenagem pura!

Ao pé da tua fulgurante palma,

deixa qu’eu ponha as flores sem renome!

Entre os mimos mais gratos da natura,

— elas têm as tristezas da minh’alma

e são humildes como o é meu nome!