UMA NECROLOGIA
Chegando o correio
Desprendo as cruzetas,
Confronto as mentiras
De nossas gazetas.
A tarja de luto
À vista me ocorre,
E a epígrafe leio
— O justo não morre! —
A tese me instiga,
Perpasso este assunto,
E enfim me convenço
De haver um defunto.
E foi a matéria
Tão mal resolvida,
Que bem se confunde
A eterna e esta vida.
Então fiz comigo
Em meu pensamento
Da lógica filho
Seguinte argumento:
Se o justo não morre,
E este homem morrera,
Conclui-se portanto
Que justo não era.