V

By Delminda Silveira de Sousa

De espinhos uma coroa, rubro manto

Sobre os ombros, por cetro verde cana,

Sofre os insultos de uma plebe insana

Dos homens todos o mais puro e santo.

Pilatos inocente o julga tanto,

Que assim propõe à multidão tirana:

— Soltar Jesus, e a morte desumana

A Barrabás infame dar no entanto.

Mas o povo enfurece, ruge, brada,

Que a uma graça tal, inesperada,

Mais enlouquece, mais raivoso fica.

— “Que farei de Jesus?” então lhes diz

O fraco, pusilânime juiz;

— “Crucifica-o!” repetem, “crucifica!”