V
Onde vão esses livres caminheiros,
Adustos filhos dos sertões? Que buscam
Por estas horas, tantos e tão fortes,
Deixando as tabas, as aldeias mudas,
E as cabanas desertas? Que desejam?
Novo céu? Outro clima? Ares mais puros?
Campos mais férteis? Mais alegres prados?...
Não. A terra querida em que repousam
Os restos de seus pais é vasta e rica!
Nela nasceram, vivem, se conservam,
E nela hão de dormir o último sono.
O que procuram, pois, que assim caminham?
Que pensamento os guia? Porventura,
Dirigem-se às cabanas inimigas
Sequiosos de sangue, dominados
Pelo sombrio gênio da vingança?
Meditam planos de combate? Levam
A desordem, a ruina, o horror a morte,
Aos calados abrigos, onde o povo
Dorme, de seus trabalhos esquecido,
Entregue aos sonhos de um melhor destino?