Valésia

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Todo o horizonte escuro e as montanhas escuras...

Rolos de escuridão vêm do espaço caindo.

E a floração astral onde estará luzindo?

Seria para sempre extinta nas alturas?

Aonde estarão também as límpidas alvuras

Das garças dos mangais? Foram-se difundindo

Nas trevas desse mar que se encrespa, rugindo,

Abalando de chofre a alma das criaturas.

Tremo de medo. A fé em meu peito se apaga...

Esta noite medonha, aflitiva e pressaga,

Leva-me o coração, que na angústia estremece...

Mas entro, sem rumor, na tua casa e vejo,

Da candeia de folha ao mortiço lampejo.

Os teus dedos desfiando um rosário de preces.