Vanda

By João da Cruz e Sousa

Vanda! Vanda do amor, formosa Vanda,

Macuana gentil, de aspecto triste,

Deixe que o coração que tu poluíste

Um dia, se abra e revivesça e expanda.

Nesse teu lábio sem calor onde anda

A sombra vã de amores que sentiste

Outrora, acende risos que não viste

Nunca e as tristezas para longe manda.

Esquece a dor, a lúbrica serpente

Que, embora esmaguem-lhe a cabeça ardente,

Agita sempre a cauda venenosa.

Deixa pousar na seara dos teus dias

A caravana irial das alegrias

Como as abelhas pousam numa rosa.