[Vão-se de todo]

By João da Cruz e Sousa

Vão-se de todo os pardacentos nimbos...

Chovem da luz as nítidas faíscas

E no esplendor de irradiações mouriscas,

Abrem-se as flores em gentis corimbos.

Muito mais lestas do que amigos fimbos,

Do Azul cortando as bordaduras priscas,

Pombas do mato esvoaçando, ariscas,

Do céu se perdem nos profundos limbos.

A natureza pulsa como a forja...

Pássaros vibram no clarim da gorja,

As retumbantes, fortes clarinadas.

A grande artéria dos assombros pula...

E do oxigênio, a força que regula

Enche os pulmões a largas baforadas.