Versos

By João da Cruz e Sousa

Bravo, prole bendita

Pois à glória infinita

O lutar vos conduz!

É assim — trabalhando

Sempre e sempre estudando

Que se alcança mais luz!

Contemplai estas flores

Estes tantos lavores

Contemplai o painel!

Repetindo orgulhosos

Estes feitos briosos

São dum belo pincel!

Eia, jovens, avante!

Ser artista é brilhante,

Trabalhar é uma lei!

Não são só os c’roados

Que merecem em brados

Ter as honras de rei!

O artista qu’é pobre

É tão rico, é tão nobre

Qual potente césar!

E a glória bem cedo

Lhe murmura o segredo

— És artista — és sem par!

Não temais os pampeiros

Sois gentis brasileiros

Deveis pois progredir!

Quem vos traça na história

Vossa augusta memória

É um deus — O Porvir!

Levantai-vos potentes

Altanados, ingentes

E fazei-vos Criseus!

Só quem pode vergar-vos

E pensar obumbrar-vos

Mais ninguém — é só Deus!

Não fiqueis ignavos

Que o futuro dá bravos

Vos dizendo — estudai!

Sois humanos — portanto

Se há de trevas um manto

Apressai-vos, rasgai!

Nossa pátria querida

Necessita mais vida,

Necessita crescer!

É preciso contudo

Que tenhais como escudo

Quem vos mostra o saber!

E de obreiros altivos,

Que sereis redivivos

Que sereis imortais,

Achareis vossos nomes

Vossos grandes renomes

Nas mansões divinais!

Perdoai-me estas flores

Que tão murchas, sem cores

Nada podem valer!

São ofertas sinceras

Arrancadas deveras

Para vir vos trazer!

Palinuros — à frente

Esse trilho é ridente

Dás-vos honra, louvor!

Quem o braço vos guia

Nunca, nunca entibia —

— É artista... e pintor!

É a vós a quem falo

E se hoje eu não calo

Estas vãs expressões!

É que a louca alegria

Em minh’alma irradia

Com fulgentes clarões!

O trabalho enobrece

Glorifica, engrandece

Aos artistas quais vós!

Que zombando da sorte

Têm a tela por norte

Os pincéis por faróis!

Eia! nessa carreira

Qual a nau sobranceira

Indo o mar a fender!

Quando há negros abrolhos,

Mil cachopos, escolhos

É mais belo o vencer!

Se o lutar é dos grandes

Que são gêmeos dos Andes

Que não sabem tombar!

Colhereis uma glória

Mais suprema memória,

Trabalhando, a lutar!

Deus, o Deus sublimado

Disse ao homem num brado,

Da sidérea mansão!

— Vai depressa arrimar-te

Aos arcanos da arte,

Que terás um bordão!

Onde há braços d’artista

E seu ponto de vista

Decepar escarcéus!

E seu gládio seguro

Vai cavar o futuro

Vai rasgar negros véus!

E lá quando os vindouros

Vos c’roarem de louros

Vos erguerem docel!

Bradarão altaneiros:

— Exultai brasileiros,

Ressurgiu Rafael!

Não temais os insanos,

Insensatos humanos

Bajulantes e maus!

Trabalhai muito embora!

Há de vir uma aurora

P’ra arrancá-los do caos!

Away, estudantes

Sois vergônteas pujantes

A lauréis tendes jus!

Caminhai com coragem,

Qu’esta é a romagem

Dos apóstolos da luz!!!...