VERSOS CARNAVALESCOS

By Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

Digno, como um presidente

— CLOWNESCO, tangendo guisos

Abro a válvula dos risos

Para alegrar esta gente.

Meu povo, não seja leso!

Reparem Manoel Hipólito

Das bricadeiras acólito

E peru de roda obesa.

Vejam como ele está teso!

O seu olho não balança.

Mas o que nele a esperança

Estrangula, e o põe de molho,

Não é, meus senhores, o olho

É o promontório da pança.

Boas-noites, seu Mesquita,

Deixe de fazer esgares,

Olhe a seta dos olhares

Daquela moça bonita!

Para que se precipita?!

Coma presuntos e engorde,

Mesquita, não durma, acorde,

V. é lá criancinha?

Agora uma perguntinha:

Seu Mesquita, V. morde?

Que fenomenais arranjos,

Que impulsos de bode esperto,

Será aquele de certo

Dr. Odilon dos Anjos?

Em matéria de marmanjos

Ninguém o excede, em verdade.

Possui tudo: — a exiguidade

Dos seus bigodes de gato;

E aqui não há nenhum rato

Que o vença em sagacidade.

Olhe o Benjamim Fernandes,

Sujeito de mãos gorduchas

Que é fabricante de buchas

E tenta transpor os Andes.

Usa umas pernas tão grandes,

Que até me causam receio,

É forte no bamboleio,

Tem pestanas de estopim,

Toma figa, Benjamim,

Vá de retro, bicho feio!

Possuo a harpa de David,

E embora, senhores, peque

Eu faço um salamaleque

À elegância de Nini.

Ninguém me expulsa daqui,

Não há ninguém que me expulse,

Faltam-me as rimas em ulce,

Que sorte aziaga e mesquinha,

Bravos de D. Donzinha

E da elegância de Dulce!

D. Áurea aceite deveras

Meus parabéns, olhe, aceite,

Eu peço que não enjeite

Estas palavras sinceras.

Rasgue as máscaras austeras,

Isto lhe não dá trabalho.

D. Nevinha Carvalho,

Responda, não vá embora,

Diga, por que é que a senhora

Não faz versos para O Malho?

Vamos fazer da Folia

Um alegórico mastro!

É D. Eurídice Castro

Quem no-lo fazer devia,

Mas fica para outro dia

Esta exótica incumbência,

A absurda resplandecência

Do carnaval continue

Que o povo, quando se influi

Não interrompe a alegria.

Como um soberbo paxá

Aqui termino. Aqui fico

(Entre parênteses) Chico

Solon ou Chico de Sá.

Como ele, talvez não há,

Raspou noutro dia o andó.

Às vezes, resmunga só

Premeditando atitudes

De elegância, come grudes

E escreve Dulce com O.