VERSOS D’UM EXILADO

By Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

Eu vou partir. Na límpida corrente

Rasga o batel o leito d’água fina

— Albatroz deslizando mansamente

Como se fosse vaporosa Ondina.

Exilado de ti, oh! Pátria! ausente

Irei cantar a mágoa peregrina

Como canta o pastor a matutina

Trova d’amor, à luz do sol nascente!

Não mais virei talvez e, lá sozinho,

Hei de lembrar-me do meu pátrio ninho

D’onde levo comigo a nostalgia

E esta lembrança que hoje me quebranta

E que eu levo hoje como a imagem santa

Dos sonhos todos que já tive um dia!