Vésper

By Delminda Silveira de Sousa

Oh! místico fanal,

Oh! meiga filha da saudosa hora,

vem beijar a cecém que te namora

do lago no cristal!

Brilham do prado os lumes,

perpassa a brisa merencória e grata,

abrem no val’ caçoulas d’ouro e prata

a derramar perfumes.

Nos plainos, nas quebradas,

e sobre o leve azul das ondas mansas,

já solta triste noite as negras tranças

de perlas enastradas.

Vem, astro meu risonho,

confidente gentil dos meus amores:

é bela a noite e eu quero em teus fulgores

haurir meu doce sonho!

Lá surge alfim do monte

a meiga fada que sorri no lago!

Seu brando raio em carinhoso afago

já vem beijar-me a fronte!

Oh! doce e meiga Diva,

celeste mensageira da esperança,

tu que trazes aos nautas a bonança,

— dá-me a ventura esquiva!