Vestido de negro

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Quem se vestiu de negro? e à minha porta

Bateu neste momento? Quem bateu,

Quando da noite a triste neve corta

O campo, e o vasto mar, e o vasto céu?

Quem tanta negridão em si suporta

Que até faz recordar que se escondeu

Na asa de um corvo? Olá! Quem não se importa

De me dizer quem é? Mas, respondeu,

O fantasma sombrio, horrível, tredo;

Respondeu, esgueirado num segredo,

Do qual fazia o seu famoso cetro...

E muito mais medonho que os medonhos

Vampiros, repetiu: — Eu sou, dos sonhos

Dos que não amam, o fatal espectro!