VII

By Laurindo José da Silva Rabelo

Como o gemer de vaga, que se quebra

No sopé do rochedo;

Como ribombo de trovão, que rola

Pelos longes do espaço,

Ou eco de clarim perdido em ermos,

Do Gênio a voz ecoa no infinito,

E, por ela acordada,

O semblante solene

Ergue para saudá-lo a Eternidade,

Lá soa o bronze, solfejando a nota

Da alpercata da morte sobre as campas.

O sol está no ocaso!!!

O Gênio ansioso espera

O sinal de seu vôo ao Ser Supremo.

Vede-lhe o pensamento: — é uma lira,

Donde os dedos da Fé extraem destros

Melífluos sons divinos —

São os salmos do gênio agonizante:

E a última das notas é sua alma,

Que se perde no céu! — De lá, ó morte,

Sorrindo a teu poder te desafia

Pelo raio divino armada a destra,

Dos céus abroquelado;

Enquanto cá na terra,

Sarcasmo a teu poder, seu nome troa,

Como um brado de glória, enchendo o mundo