VIO O POETA ESTA FORMOSURA, E DESTA SORTE COMEÇA A ENCARECER SUAS ALTAS PRENDAS.
Peregrina Florência Portuguesa,
Se em venda vos puser o Deus vendado,
Pouco estima o seu gosto, e seu cuidado,
Quem, Florência, por vós não der Veneza.
Eu entre a formosura, e a riqueza
De um, e outro domínio dilatado,
Não desejara estado por estado,
Mas trocara beleza por beleza.
Só, Florência, por vossa flor tão pura
Um reino inteiro, não uma cidade
Deve dar, quem saber amar procura.
Em vós do mundo admiro a majestade,
Quanto é mais que a grandeza a formosura,
Menos a monarquia, que a deidade.