VISÃO

By Laurindo José da Silva Rabelo

Silêncio! As trevas desbotam

Seu carregado negror;

Vai pouco a pouco surgindo

Matutino resplendor.

Por entre nuvens de púrpura

Assoma visão celeste,

Real aspecto mostrando

No ar, na forma e na veste.

Cinge um manto, um cetro empunha,

que um dragão tem por emblema;

Vinte estrelas-sóis flamejam

No circ’lo do seu diadema.

Na destra suspende um mundo:

Mais vigoroso que Atlante,

Firme os pés, apóia o cetro

Sobre o dorso de um gigante.

A claridade que o cerca

É seu olhar que a produz;

Não vê somente, dá vista;

Não tem só, difunde a luz.

Dessa luz iluminados,

Com pasmo e prazer profundo,

No vulto reconhecemos

Nosso pai — Pedro Segundo