Visão medieva

By João da Cruz e Sousa

Quando em outras remotas primaveras,

Na idade-média, sob fuscos tetos,

Dois amantes passavam, mil aspectos

Tinham aquelas medievais quimeras.

Nas armaduras rígidas e austeras,

Na aérea perspectiva dos objetos

Andavam sonhos e visões, diletos

Segredos mortos nas extintas eras.

O fantasma do amor pelos castelos

Mudo vagava entre os luares belos,

Dos corredores nas paredes frias.

Não raro se escutava um som de passos,

Rumor de beijos, frêmito de abraços

Pelas caladas, fundas galerias.