Vivandeiras II
O Poeta, hoje em dia, o pensador austero,
Satirizando o Mal, a Realeza, o Clero,
Sobe ao altar da Imprensa, o púlpito sagrado,
— Lanterna que clareia os antros do passado,
— Estrela a cintilar em horizonte escuro,
Guiando à eternidade os Magos do Futuro;
E, abrindo às multidões as folhas do Missal
Do Bem e da Verdade — a Bíblia do Ideal —
Desmoronando a Igreja e esboroando o Trono,
Faz com que o Povo, o pária... a bocejar de sono,
Inda esfregando as mãos nos olhos inflamados,
Saindo dos lençóis revoltos, machucados,
Do leito sensual, ao banco do Trabalho...
No Templo da Oficina, aonde é Cruz o Malho,
Procure o seu lugar, bem como o guerrilheiro
Ao lado dos heróis, nos campos do estrangeiro,
Quando é do fumo o ar, quando é de sangue a terra,
Ao som provocador das músicas de guerra.
É tempo de saltar da boca dos heróis
O hino da vitória:
Os Novos Ideais, brilhantes como os sóis,
Surgem... são as visões fantásticas da glória!
Dois atletas estão lutando em agonia:
A Treva com a Luz... a Noite com o Dia.
De um lado — a Ignorância, o pavoroso abutre
Que rasga o próprio seio e com seu sangue nutre
Os filhos do furor, do desespero insano
Que chama-se Miséria — o grande Pelicano!...
D’outro lado a Instrução, a boa mãe, que ensina
O caminho da Escola, as portas da Oficina,
Aos filhos varonis, que a trabalhar, sem sustos,
Seguem para o futuro alegres e robustos.
Não tarda a começar da Liberdade a Missa
No templo da Razão:
Vai-se desenvolver o tema da Justiça,
À luz da Nova Ideia, ao sol — Revolução!...