Vivandeiras II

By Múcio Scevola Lopes Teixeira

O Poeta, hoje em dia, o pensador austero,

Satirizando o Mal, a Realeza, o Clero,

Sobe ao altar da Imprensa, o púlpito sagrado,

— Lanterna que clareia os antros do passado,

— Estrela a cintilar em horizonte escuro,

Guiando à eternidade os Magos do Futuro;

E, abrindo às multidões as folhas do Missal

Do Bem e da Verdade — a Bíblia do Ideal —

Desmoronando a Igreja e esboroando o Trono,

Faz com que o Povo, o pária... a bocejar de sono,

Inda esfregando as mãos nos olhos inflamados,

Saindo dos lençóis revoltos, machucados,

Do leito sensual, ao banco do Trabalho...

No Templo da Oficina, aonde é Cruz o Malho,

Procure o seu lugar, bem como o guerrilheiro

Ao lado dos heróis, nos campos do estrangeiro,

Quando é do fumo o ar, quando é de sangue a terra,

Ao som provocador das músicas de guerra.

É tempo de saltar da boca dos heróis

O hino da vitória:

Os Novos Ideais, brilhantes como os sóis,

Surgem... são as visões fantásticas da glória!

Dois atletas estão lutando em agonia:

A Treva com a Luz... a Noite com o Dia.

De um lado — a Ignorância, o pavoroso abutre

Que rasga o próprio seio e com seu sangue nutre

Os filhos do furor, do desespero insano

Que chama-se Miséria — o grande Pelicano!...

D’outro lado a Instrução, a boa mãe, que ensina

O caminho da Escola, as portas da Oficina,

Aos filhos varonis, que a trabalhar, sem sustos,

Seguem para o futuro alegres e robustos.

Não tarda a começar da Liberdade a Missa

No templo da Razão:

Vai-se desenvolver o tema da Justiça,

À luz da Nova Ideia, ao sol — Revolução!...