Vivandeiras X – Aos poetas líricos
Ó tísicos Romeus! ó corações doentes,
Que ficais, ao luar, cismando horas inteiras...
Ó magros menestréis, tristes — como os poentes
E estéreis como o seio anêmico das freiras!...
Profetas ideais, fantásticos videntes,
Que andais pelos bordéis, dormindo nas cadeiras...
Porque tanto chorais? — sofreis de dor de dentes?
Deixaram-vos sem roupa as vossas lavadeiras?...
Aves do madrigal, canários sem gaiola,
Que andais, como um mendigo, a suplicar a esmola
De um bravo à insipidez d’algum recitativo...
Atirai para um canto as vossas elegias,
Deixai de plagiar o morto Jeremias,
Imitai Baudelaire, que mesmo morto é vivo.