Viveremos assim

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Eu te quero na curva ansiante dos meus braços,

Junto do coração, e que possas ouvi-lo,

Quer no momento em que ele é pássaro tranquilo,

Ou um alvionador curvado de cansaços...

Vacilantes, embora, eu já tenha os meus passos,

Vacilante não sinto o peito, para uni-lo

Ao teu peito, no qual vive o amor, no sigilo

Da permanente união, através dos espaços.

Viveremos assim, nesta nesga de terra,

Neste humilde lugar que as carícias encerra,

Sem neblinas de inverno e anemias de outono.

E para longe, então, ficará, toda a sorte

De misérias do mundo... E teremos, na morte:

Para o espírito, o sonho, e para o corpo, o sono.