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Alma inspirada de Anchieta ilustre,
Espírito do apóstolo das selvas!
Sábio e cantor, luzeiro do futuro!
Tu, que nas solidões do Novo Mundo
Sobre as alvas areias, borrifadas
Das escumas do mar, traçaste os versos
Do — poema da Virgem — e ensinaste
Aos povos do deserto a lei sublime
Que ao reino do Senhor conduz os seres;
Ensina à minha musa timorata
A linguagem celeste que falavas!
Dá-lhe a doce expressão, a graça infinda,
A força, a eloquência e a verdade
Dessas singelas narrações, que à noite
Fazias nos outeiros, nas florestas,
Às multidões que ouvindo-te choravam,
E pediam as águas do baptismo!
E tu, oh! desditoso, exímio bardo,
Cujo leito final buscam debalde
As abelhas das verdes espessuras,
Para seu mel depor, como as do Himeto,
Do divino Platão sobre o moimento,
— E cada novo estio o mar procuram,
E zumbem sobre as águas mugidoras
Que furtaram teu corpo ao pátrio solo!
Grande Gonçalves Dias! Desses páramos,
Onde viver sonhava, e vive agora
Tua alma gloriosa, envia, oh! mestre,
Envia-me o segredo da harmonia
Que levaste contigo!... Assim, apenas,
Meu santo empenho vencerei contente.