XI Canto do monarca
Eu sou o moço Gaúcho,
Valente como os mais guapos;
Filho e neto de Farrapos,
Republicano no mais!
Com o meu poncho de pala,
E laço e bolas nos tentos,
Vou mais ligeiro que os ventos
Por sangas e bamburrais...
O rei, montado no trono,
Tendo os ministros consigo,
Não se compara comigo
No dorso do meu bagual;
Se ele é rei — eu sou monarca!
Se ele tem cetro dourado,
Tenho o relho prateado
E a cancha do meu punhal!...
Por Deus e por minha vida,
Tenho uma vontade ardente
Que ainda outra vez rebente
Aqui — a revolução!...
Mostraria à baianada,
Que treme, a morder cartucho,
P’ra quanto presta o Gaúcho,
N’um pingo de opinião!...
De vez em quando — aparece
Um orador que se arrisca:
E n’assembleia se prisca
Para a banda popular...
Mas sempre encontra quem logo
Comece a pelegueá-lo,
Arme-lhe certo o pialo
E faça o bagual sentar!...
Lá no Rio de Janeiro,
Um jornalista de fama,
Deixava tudo na lama...
“Barbaridade!” — gritou!...
Mas encolheu as orelhas
E deu-se por “afrontado”
No capão d’um consulado,
Onde se aquerenciou...
Hépucha, mano! Parece
Que os sentimentos rodaram!...
As crenças s’encurralaram...
E o povo — murcha o garrão!
Estropeado e maceta,
Empaca o patriotismo,
E anda no passo o cinismo
Por toda a povoação.
Eu, que sou moço largado,
Valente como os mais guapos,
Filho e neto de Farrapos,
Republicano no mais;
Hei de correr a rebenque
Os reiunos sem valia,
Que, para mais picardia,
São filhos de nossos pais!...