XII Ao violão

By Múcio Scevola Lopes Teixeira

Morena filha da colúmbea terra,

Lírio da serra, onde a poesia dorme,

Há nos teus lábios muito mais frescura

Que n’água pura do lajeado enorme.

Tu tens nos olhos mais fulgentes lumes

Que os vagalumes nas doiradas asas;

Como a falena a voejar em flores,

Vais entre amores... e jamais te abrasas!

Ah! quem me dera n’essas níveas pomas,

Ébrio de aromas, desmaiar de gozo...

Entre teus braços me prender de zelos

E em teus cabelos encontrar repouso!...

Morena filha da colúmbea terra,

Lírio da serra americana, ardente,

Tua voz, mais doce que o gemer da viola,

Tudo consola... porque tudo sente!

Tu és o pouso, que o tropeiro errante,

Que anda distante de seus caros pagos,

Avista — à luz que no poente brilha —

Junto à coxilha, por detrás dos lagos...

Tu és mais bela do que a imagem santa

Que se alevanta no altar da igreja;

Tens mais mistérios do que a cruz divina,

Que na campina, solitária, alveja...

Morena filha da colúmbea terra,

Lírio da serra, onde medita o monge...

Pede-te um pouso, no teu seio amante,

O viajante — que chegou de longe.