XII Ao violão
Morena filha da colúmbea terra,
Lírio da serra, onde a poesia dorme,
Há nos teus lábios muito mais frescura
Que n’água pura do lajeado enorme.
Tu tens nos olhos mais fulgentes lumes
Que os vagalumes nas doiradas asas;
Como a falena a voejar em flores,
Vais entre amores... e jamais te abrasas!
Ah! quem me dera n’essas níveas pomas,
Ébrio de aromas, desmaiar de gozo...
Entre teus braços me prender de zelos
E em teus cabelos encontrar repouso!...
Morena filha da colúmbea terra,
Lírio da serra americana, ardente,
Tua voz, mais doce que o gemer da viola,
Tudo consola... porque tudo sente!
Tu és o pouso, que o tropeiro errante,
Que anda distante de seus caros pagos,
Avista — à luz que no poente brilha —
Junto à coxilha, por detrás dos lagos...
Tu és mais bela do que a imagem santa
Que se alevanta no altar da igreja;
Tens mais mistérios do que a cruz divina,
Que na campina, solitária, alveja...
Morena filha da colúmbea terra,
Lírio da serra, onde medita o monge...
Pede-te um pouso, no teu seio amante,
O viajante — que chegou de longe.