XII

By Luís Nicolau Fagundes Varela

Oh! não! não morrereis, meus pobres cantos!

Não passarás nas trevas, deslembrada,

Musa Cristã, que peregrina foste

Pedir a inspiração ao frio solo

Do sombrio jardim das Oliveiras!

E do suor de sangue te molhaste!

Que subiste contrita, de joelhos,

Beijando as pedras, inundando a terra

De lágrimas de amor e de piedade,

A terrível montanha do Calvário!

Que entre os negrumes de sinistra noite,

Rotas as vestes, os cabelos negros

Soltos aos frios ventos do infinito,

Junto às santas mulheres pranteaste

Sobre a lousa do Deus supliciado!

Que o viste erguer-se vencedor da morte,

Buscar o mundo, consolar os tristes,

Prometer-lhes voltar no fim das eras,

E remontar aos céus em nuvens d’ouro!

Hão de te honrar os homens e as idades,

Senão por ti, por Esse, cujo nome

Santifica teus cantos maviosos!

Passarás ao porvir, oh! casta Musa!