XII
Oh! não! não morrereis, meus pobres cantos!
Não passarás nas trevas, deslembrada,
Musa Cristã, que peregrina foste
Pedir a inspiração ao frio solo
Do sombrio jardim das Oliveiras!
E do suor de sangue te molhaste!
Que subiste contrita, de joelhos,
Beijando as pedras, inundando a terra
De lágrimas de amor e de piedade,
A terrível montanha do Calvário!
Que entre os negrumes de sinistra noite,
Rotas as vestes, os cabelos negros
Soltos aos frios ventos do infinito,
Junto às santas mulheres pranteaste
Sobre a lousa do Deus supliciado!
Que o viste erguer-se vencedor da morte,
Buscar o mundo, consolar os tristes,
Prometer-lhes voltar no fim das eras,
E remontar aos céus em nuvens d’ouro!
Hão de te honrar os homens e as idades,
Senão por ti, por Esse, cujo nome
Santifica teus cantos maviosos!
Passarás ao porvir, oh! casta Musa!