XIII Gauchadas
Fui tomar ares fora, há quatro ou cinco meses,
Na estância de um amigo; e repetidas vezes
Toquei-me campo fora e fui parar rodeio,
Montado em pingos tais que nunca viram freio.
Eu ia, a toda a brida, à toa, pelos Pampas,
Os touros apanhando a laço pelas guampas,
Repontar os baguais, as éguas, os potrancos,
Rodando nos cupins, saltando nos barrancos!
Era um guasca largado! Às minhas gauchadas
Diziam os peães: “Não é de caçoadas
Aquele doutorzito, a meio abaianado,
Por Deus que é genetaço e moço abarbarado!
Quer fosse na atafona, ou fosse na senzala,
Por sobre os ombros meus caia em regra o pala.
Prendia o meu cigarro à fita do sombreiro:
E arrastava por gosto a espora no terreiro!
Nos fandangos, à noite, a china mais bonita
Olhava para mim — cantando a Chimarrita...
E se eu ia p’ra roda; então... barbaridade!
Por Deus e um patacão — não era da cidade!...
D’uma feita, eu já tinha atravessado o passo,
E estava retovando as boias junto ao laço,
Quando vi, a banhar-se, uma chinoca airosa,
Lindaça como o sol, fresca como uma rosa.
Não sei o que senti; parece-me somente
Que eu quis abrir de raia e me tocar p’ra frente...
Mas — se os olhos gentis d’aquela tentação
Manearam-me logo o triste coração!...
Prisquei-me para trás e refuguei p’ra um lado,
Mas como — se eu ’stava pialado?
A china aprisilhou-me uma olhadura terna...
Assim como quem diz: “Já te passei a perna!”
Embuçalou-me, a rir, e em tom de voz tirano
Perguntou-me depois: “Perdeu-se o vaqueano?...”
Caramba! eu via bem que aquilo era um desfrute...
Mas a gente, patrício, às vezes não discute!...