XIII
Feitura do Senhor, senhor dos seres
Que os vergéis sempre verdes habitavam
Da região da paz e das delícias:
Irmão, dos anjos, como os anjos puro,
Jovem, feliz, imortalmente belo,
O rei da creação, — o esposo de Eva,
A glória, a vida, a luz da etérea corte,
Contra as ordens de Deus voltou-se ingrato,
Rendeu preito a Satã! — Tudo perdeu-se!
Os anjos, seus iguais, horrorizados
Apartaram-se dele: o Paraíso
Tornou-se mudo e se cobriu de sombras;
Apagaram-se os astros: convulsiva
A natureza estremeceu nas ânsias
De doloroso parto!... A fria morte
Apareceu na face do universo!...
Lavrando a justa e rígida sentença
O Juiz sossegou: o Pai clemente
Sentiu, porém, a queda de seus filhos,
E prometeu-lhes libertar um dia
Das cadeias da morte e do pecado.