XIV

By Delminda Silveira de Sousa

Sobre a Cruz, com tamanha crueldade,

Quis morrer o divino Redentor,

Para ao mundo ensinar o santo Amor

Da imortal, bendita Caridade.

— “Tenho sede” — Ele disse, mas quem lhe há de

O lenitivo dar consolador?...

Só de vinagre o fel, o amargor

Teve, naquela atroz ansiedade!

Enquanto os que passavam motejando,

Iam do Mártir divinal zombando

Com vis ápodos e insolente riso,

Ele ao bandido que a seu lado estava,

E contrito o perdão lhe suplicava,

Prometia o eterno Paraíso.