XIV

By Gonçalves de Magalhães

Triste sou como o salgueiro

Solitário junto ao lago,

Que depois da tempestade

Mostra dos raios o estrago.

De dia e noite sozinho

Causa horror ao caminhante,

Que nem mesmo à sombra sua

Quer pousar um só instante.

Fatal lei da natureza

Secou minha alma e meu rosto;

Profundo abismo é meu peito

De amargura e de desgosto.

À ventura tão sonhada,

Com que outrora me iludia,

Adeus disse, o derradeiro,

Té seu nome me angustia.

Do mundo já nada espero,

Nem sei por que inda vivo!

Só a esperança da morte

Me causa algum lenitivo.