XIV
Punidos os revéis, seus descendentes
Pelo mundo espalharam-se, assombrando
As eras e as idades com seus crimes!
Uma lágrima, então, não de tristeza,
Mas de indignação, brilhou nas nuvens;
Cresceu, cresceu, ganhou o firmamento,
Caiu com surdo estrondo sobre a terra,
Juntou-se ao mar, vingou os descampados,
Selvas cobriu, avassalou montanhas,
Tudo, tudo arrasara, se entre os homens,
Um homem justo não vivesse! O Eterno
Inda uma vez mostrou-se compassivo
Preservando Noé e mais seus filhos.
Passada a horrenda convulsão das águas,
Pelas imensas regiões, que ainda
Exalavam os úmidos vapores
Do sol brilhante aos protetores raios,
Se espalharam de novo!... — Mas, desgraça!
Os filhos de Noé continuaram
O que os filhos de Adão haviam feito!
E seu curso fatal seguia o tempo,
Volvendo ao nada séculos e séculos,
E nem santos avisos, nem promessas,
Milagres de clemência, atros castigos,
Pragas medonhas, servidões cruentas,
E horrores sobre horrores, atalharam
A progressão de abomináveis crimes!