XIV

By Luís Nicolau Fagundes Varela

Punidos os revéis, seus descendentes

Pelo mundo espalharam-se, assombrando

As eras e as idades com seus crimes!

Uma lágrima, então, não de tristeza,

Mas de indignação, brilhou nas nuvens;

Cresceu, cresceu, ganhou o firmamento,

Caiu com surdo estrondo sobre a terra,

Juntou-se ao mar, vingou os descampados,

Selvas cobriu, avassalou montanhas,

Tudo, tudo arrasara, se entre os homens,

Um homem justo não vivesse! O Eterno

Inda uma vez mostrou-se compassivo

Preservando Noé e mais seus filhos.

Passada a horrenda convulsão das águas,

Pelas imensas regiões, que ainda

Exalavam os úmidos vapores

Do sol brilhante aos protetores raios,

Se espalharam de novo!... — Mas, desgraça!

Os filhos de Noé continuaram

O que os filhos de Adão haviam feito!

E seu curso fatal seguia o tempo,

Volvendo ao nada séculos e séculos,

E nem santos avisos, nem promessas,

Milagres de clemência, atros castigos,

Pragas medonhas, servidões cruentas,

E horrores sobre horrores, atalharam

A progressão de abomináveis crimes!