XIX

By Cláudio Manuel da Costa

Corino, vai buscar aquela ovelha,

Que grita lá no campo, e dormiu fora;

Anda; acorda, pastor; que sai a Aurora:

Como vem tão risonha, e tão vermelha!

Já perdi noutro tempo uma parelha

Por teu respeito; queira Deus, que agora

Não se me vá também estoutra embora;

Pois não queres ouvir, quem te aconselha.

Que sono será este tão pesado!

Nada responde, nada diz Corino:

Ora em que mãos está meu pobre gado!

Mas ai de mim! que cego desatino.

Como te hei de acusar de descuidado,

Se toda a culpa tua é meu destino!