XL

By Cláudio Manuel da Costa

Quem chora ausente aquela formosura,

Em que seu maior gosto deposita,

Que bem pode gozar, que sorte, ou dita,

Que não seja funesta, triste, e escura!

A apagar os incêndios da loucura

Nos braços da esperança Amor me incita:

Mas se era a que perdi, glória infinita,

Outra igual que esperança me assegura!

Já de tanto delírio me despeço;

Porque o meu precipício encaminhado

Pela mão deste engano reconheço.

Triste! A quanto chegou meu duro fado!

Se de um fingido bem não faço apreço,

Que alívio posso dar a meu cuidado!