XLI

By Cláudio Manuel da Costa

Injusto Amor, se de teu jugo isento

Eu vira respirar a liberdade,

Se eu pudesse da tua divindade

Cantar um dia alegre o vencimento;

Não lograras, Amor, que o meu tormento,

Vítima ardesse a tanta crueldade;

Nem se cobrira o campo da vaidade

Desses troféus, que paga o rendimento:

Mas se fugir não pude ao golpe ativo,

Buscando por meu gosto tanto estrago,

Por que te encontro, Amor, tão vingativo?

Se um tal despojo a teus altares trago,

Siga a quem te despreza, o raio esquivo;

Alente a quem te busca, o doce afago.