XLII

By Cláudio Manuel da Costa

Morfeu doces cadeias estendia,

Com que os cansados membros me enlaçava;

E quanto mal o coração passava,

Em sonhos me debuxa a fantasia.

Lise presente vi, Lise, que um dia

Todo o meu pensamento arrebatava,

Lise, que na minha alma impressa estava,

Bem apesar da sua tirania.

Corro a prendê-la em amorosos laços

Buscando a sombra, que apertar intento;

Nada vejo (ai de mim!) perco os meus passos.

Então mais acredito o fingimento:

Que ao ver, que Lise foge de meus braços,

A crê pelo costume o pensamento.