XLII

By Luís Nicolau Fagundes Varela

A multidão retira-se. Entretanto,

Uma singela filha das florestas,

Uma criança tímida, mimosa,

Bela como a inocência, pensativa

Senta-se à porta da tristonha ermida,

E considera atenta e longamente

A imagem do Senhor, onde repousa,

Como um olhar de amor e de piedade,

O suave clarão da madrugada.

— Naída! — Padre, vos espero, vamos.

— O que fazias, filha? — Me lembrava

Dessa criança que saudaram anjos

No pobre, escuro berço, e considero

Esta imagem sanguenta, descarnada,

Coberta de feridas horrorosas!

Responde a ingênua, cândida menina,

Ao caridoso mestre. — Oh! que bem fazes!

Diz este amargamente, — os sábios todos

Se assim pensassem quando os livros volvem,

E buscam monumentos no passado,

E perdem-se em audazes conjecturas,

Mais felizes seriam!... Vamos, filha.

Levanta-se Naída, e ambos caminham

Para a afastada, mísera choupana,

Onde a mãe da inocente, cuidadosa,

Grosseira refeição prepara, e espera

A delicada filha e o sábio mestre.

— O sol nascente as selvas ilumina.