XLIV

By Cláudio Manuel da Costa

Há quem confie, Amor, na segurança

De um falsíssimo bem, com que dourando

O veneno mortal, vás enganando

Os tristes corações numa esperança!

Há quem ponha inda cego a confiança

Em teu fingido obséquio, que tomando

Lições de desengano, não vá dando

Pelo mundo certeza da mudança!

Há quem creia, que pode haver firmeza

Em peito feminil, quem advertido

Os cultos não profane da beleza!

Há inda, e há de haver, eu não duvido,

Enquanto não mudar a Natureza

Em Nise a formosura, o amor em Fido.