XLV

By Cláudio Manuel da Costa

A cada instante, Amor, a cada instante

No duvidoso mar de meu cuidado

Sinto de novo um mal, e desmaiado

Entrego aos ventos a esperança errante.

Por entre a sombra fúnebre, e distante

Rompe o vulto do alívio mal formado;

Ora mais claramente debuxado,

Ora mais frágil, ora mais constante.

Corre o desejo ao vê-lo descoberto;

Logo aos olhos mais longe se afigura,

O que se imaginava muito perto.

Faz-se parcial da dita a desventura;

Porque nem permanece o dano certo,

Nem a glória tão pouco está segura