XLVIII

By Manuel Maria Barbosa l'Hedois du Bocage

Quando no estado natural vivia

Metida pelo mato a espécie humana,

Ai da gentil menina desumana,

Que à força a greta virginal abria!

Entrou o estado social um dia;

Manda a lei que o irmão não foda a mana,

É crime até chuchar uma sacana,

E pesa a excomunhão na sodomia:

Quanto, lascivos cães, sois mais ditosos!

Se na igreja gostais de uma cachorra,

Lá mesmo, ante o altar, fodeis gostosos:

Em quanto a linda moça, feita zorra,

Voltando a custo os olhos voluptuosos,

Põe no altar a vista, a ideia em porra.