XV

By Luís Nicolau Fagundes Varela

Já tremenda sentença, e a derradeira,

Ia lavrar o Eterno. Sobre o globo

Em vez da imensa lágrima d’outrora,

Imenso olhar fitou!... Raio seria

Que a terra fulminara, se, pousando,

Depois de atravessar os mundos todos,

Dos continentes na mais pobre nesga,

Não caísse bondoso e compassivo

No casto seio de formosa virgem!

Olhar onipotente! Olhar bendito!

Manancial de luz, vívida e pura!

Raio da salvação, não da vingança!

Tu levaste a verdade, o verbo santo,

A invisível essência do incriado,

Às entranhas puríssimas da esposa!